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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jardim de Bolero

Minha terra enrijece, cede a gesso, endurece
Dura com o tempo das plantadas de vida.
Ventila espécies que circulam e rodam-se pelo meu jardim
Se ventam, se voam, se entram, se tocam pelo meu jardim
Mancha rugas e rusgas pelo meu jardim
Jardim que parece ser não é pra ser
Pelo meu jardim não se escolhe o que planta, se colhe o que sente
Se dança, se toca
Se...
Senta a poeira quando senta o colo cansado de sentir
Dorme...
E num acordo acorda que acordar é lei de viver
E se dança, se toca
Se...
Meu jardim descobriu tarde que pra ser belo pra si tinha de dançar e tocar
Quando acordar vai ser bonito
Enquanto sonha é tocado, dancei...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fujo-me

Hoje preciso da escuridão absoluta

Da ausência de qualquer feixe de luz
que possa significar cristalidade.
A falta é a completude da inexatidão
que corrói meu peito em conflito.

Estou tão distante de mim
que nem as lágrimas que me são tão peculiar
hoje já não vêm.

A inexistência do choro,
água sólida de sentido,
sinaliza a implenitude da vida.

Aí, já não resta outro caminho, senão...
Reiventar-se.