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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Seu tempo, meu

Faço um solo para descobrir seu tempo
Mas minhas têmporas não te escutam
Segredos espargidos em ladrilhos quebrados
Estraçalhados
Querendo deixar de existir

Burila minhas palavras com seu toque
Que estão longe de mim
De meu corpo
E sons ontem ecoados em couro batido
Agora me acuam

Perco-me no retumbe
Quando não me retrucas
Tento ser seu metrônomo
Mostrar-te que seu tempo é o mesmo que o meu
Mas onde estás?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Vôo... vou... (ex)pero

‎(In)scrição em linhas
Mãos de pássaro engavetado
(Ex)crevo o mundo
Onde a lei é liberdade

(In)ternamente, eternidade
(Ex)ternamente, rugosidade

Fuga do topo
Do ventre
Fogueia
Em chama de voz
Chama...

Ouço
Troço
E troco-lhe
Pelo lápis

Pelos que não encobrem o calor
Pêlos que não encobrem o calor
Do corpo que arde
(ex) pelem
Minha pele

O sentido é fora
De série
Do sério
Do tempo
Do vento
De mim

Lamento...

sábado, 17 de dezembro de 2011

(Des) ilusão

Passo então a buscar uma desilusão amorosa
Pois não quero mais morosidades
Nem tão pouco ilusão
Se o prefixo “des” causa antônimo
(des)orientar
(des)concertar
(des)temer
Então que meu (des)tino seja o real
Inverso de ilusão
Que tenho tino pra não des e escolher
E não decido pelo que inexiste...
Pois então que seja um erro dizer desilusão
Para um amor não vingado
Mesmo que não por vingança
E nem por des(amor)
Que não sendo apenas imaginário
É a soli(dez) do vivenciado
E aí o des no final e com z já é um outro contrário...

domingo, 13 de novembro de 2011

À espera do novo

Depois de uns anos esperam de nós aquilo que fazemos com que esperem. Deixamos de surpreender. Chega um dia que viramos jornal de segunda-feira; já sabemos o resultado do jogo antes mesmo de sair a edição. Vamos virando carne de vaca de notícia. E não precisa de tanto tempo assim. Este é justamente o efeito contrário do amadurecimento. Ou melhor, o contrário não, o colateral do efeito. Ao mesmo tempo em que amadurecemos, vamos aperfeiçoando a capacidade de errar melhor, as mesmas coisas.
Nosso iceberg que sempre esteve abaixo de nossa ponta aparente, pois passamos a vida sem querer desvelar ao outro o que de fato somos do que nem mesmo nós sabemos ao certo ser, está mais fixo que nunca. Consolidado. Não precisa mais de imersão para emergir. Já dizemos ao mundo sobre nós com os olhos, sem que seja preciso olhar. Essa é a nossa história, depois de ao longo dos anos irmos contando estórias, ou causos.
Tornamos-nos presas fáceis de nós mesmos. Frágeis para o mundo, sem querer. Ao mesmo tempo resguardados em nós pela inevitável sabedoria das experiências e desguardados aos outros pela inevitável astúcia do previsível, tornamo-nos objeto privilegiado do contraditório.
Somos réus de um julgamento de leis tácitas, criadas por nós, ao longo de nossos próprios crimes, daquilo que se chama vida.
O tempo usa o relógio do sol, não possui falha de bateria. Ele, amigável ou não, é das visitas a de mais falta de educação, não avisa que vem, e não só passa como se instala. Nós, muitos, insistimos no relógio de corda que não gira mais. Andança parada.
Acompanhar o tempo dialética, compassada, parceramente, já que ele vem, é mudar com ele, não permitir que sejamos mais do mesmo.
E somos capazes de mudanças bruscas ao longo de sua passagem? Perdemos a capacidade de destemer o desconhecido por não conhecer o tempo que resta para reconstrução?
Ainda prefiro pensar e agir que sim. Gosto da façanha de Button, o homem que não pode parar no tempo.
Arrisque o novo... e surpreenda a espera à sua volta.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Jardim de Bolero

Minha terra enrijece, cede a gesso, endurece
Dura com o tempo das plantadas de vida.
Ventila espécies que circulam e rodam-se pelo meu jardim
Se ventam, se voam, se entram, se tocam pelo meu jardim
Mancha rugas e rusgas pelo meu jardim
Jardim que parece ser não é pra ser
Pelo meu jardim não se escolhe o que planta, se colhe o que sente
Se dança, se toca
Se...
Senta a poeira quando senta o colo cansado de sentir
Dorme...
E num acordo acorda que acordar é lei de viver
E se dança, se toca
Se...
Meu jardim descobriu tarde que pra ser belo pra si tinha de dançar e tocar
Quando acordar vai ser bonito
Enquanto sonha é tocado, dancei...

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fujo-me

Hoje preciso da escuridão absoluta

Da ausência de qualquer feixe de luz
que possa significar cristalidade.
A falta é a completude da inexatidão
que corrói meu peito em conflito.

Estou tão distante de mim
que nem as lágrimas que me são tão peculiar
hoje já não vêm.

A inexistência do choro,
água sólida de sentido,
sinaliza a implenitude da vida.

Aí, já não resta outro caminho, senão...
Reiventar-se.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Não duvido de mim, mas as dúvidas me duvidam

Sem saber falar sobre incertezas, prefiro alimentá-las no silêncio. As dúvidas não ditas talvez machuquem mais que as respostas dadas por perguntas palavreadas ao vento, contudo, sem rigidez, jamais mensurarão o tamanho da dor.
Num mundo racional, as dúvidas não são bem vistas... Muito menos bem sentidas... Num mundo racional, ver não é sentir. Prefiro aqueles que antecedem o sentido à visão. Quem busca a dúvida não se contenta com um ponto de sentir, necessita de vários. Quem busca a dúvida, reconhece a liberdade, não se deixa sufocar.
Mas, como nem toda escolha, porque ter dúvidas também são escolhas, é feita apenas pelos louros, o imprevisível reserva o que não se pode controlar. A liberdade, aí, já não é sua, é dela própria, e do mundo. Na hora em que se desprende, já é tarde para buscar domínio de si. São as conseqüências.
O silêncio faz me duvidar, mas também duvidar. E quando experienciado deixa uma sensação amarga. O silêncio tem de ser meu, não daquele que quero que fale a mim. A minha liberdade tem o limite do querer não tê-la. Decisão da dúvida consciente. Como escreveu a sábia Clarice, aqui interpretada por mais uma vida, a liberdade é o limite da proteção. A liberdade é a troca da seguridade que se quer ter, e todos querem, mesmo na solidão.