Depois do vidro há um vento
Latejante
Emudecedor, entorpecedor
Que faz as folhas trançarem
E elas dançam ao seu som
Som da voz que sai ao telefone
Numa canção de amor
O vento não o trás pra perto
Mesmo nas palavras escritas
Poetizadas lucidamente
Embaraçadas ludibriadamente
Causando vertigens
Gira a cabeça
Numa roda gigante
Grande
E os bancos, quando se encontram?
Este blog faz parte de mais um momento, mais um ciclo, mais uma curva do espiral de minha existência. A cada dia descobrindo que descubro-me...aprendendo, aprendendo, aprendendo...Aventurando-me no lugar onde mais é possível se esconder e onde mais se pode ver. e-compartilhando! Reticências
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domingo, 8 de abril de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Samba em flor
Porque meu choro é meu samba
E não me lembro de outro bamba
Que me faça esquecer...
E a rosa que abre no outono
Tem efeito em meu sono
De sonhar só com você...
Mas se de repente eu percebo
Que outra rosa lhe é perene
Desabrocho de teu colo
Sopro o vento, te consolo
E meu adeus é permanente...
E não me lembro de outro bamba
Que me faça esquecer...
E a rosa que abre no outono
Tem efeito em meu sono
De sonhar só com você...
Mas se de repente eu percebo
Que outra rosa lhe é perene
Desabrocho de teu colo
Sopro o vento, te consolo
E meu adeus é permanente...
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Depois do fora...
Fora de mim nem mesmo meu coração
Quiçá meu desejo
Entregue proscritamente
Exilado a você
Porque não existe união
Sem antes distante
E dialeticamente estamos...
De dentro pra fora
De fora pra... ‘lgum lugar
Mesmo que lugar algum
Mas conduzidos por Ogum
Por estradas senis
Enferrujadas com o tempo de palavras velhas
Inteligíveis de significado
Solúveis em sentimentos
Rejuvenescidas por vontades
Medida imensurável
Tornando-se
Um éon de prazer...
Quiçá meu desejo
Entregue proscritamente
Exilado a você
Porque não existe união
Sem antes distante
E dialeticamente estamos...
De dentro pra fora
De fora pra... ‘lgum lugar
Mesmo que lugar algum
Mas conduzidos por Ogum
Por estradas senis
Enferrujadas com o tempo de palavras velhas
Inteligíveis de significado
Solúveis em sentimentos
Rejuvenescidas por vontades
Medida imensurável
Tornando-se
Um éon de prazer...
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Seu tempo, meu
Faço um solo para descobrir seu tempo
Mas minhas têmporas não te escutam
Segredos espargidos em ladrilhos quebrados
Estraçalhados
Querendo deixar de existir
Burila minhas palavras com seu toque
Que estão longe de mim
De meu corpo
E sons ontem ecoados em couro batido
Agora me acuam
Perco-me no retumbe
Quando não me retrucas
Tento ser seu metrônomo
Mostrar-te que seu tempo é o mesmo que o meu
Mas onde estás?
Mas minhas têmporas não te escutam
Segredos espargidos em ladrilhos quebrados
Estraçalhados
Querendo deixar de existir
Burila minhas palavras com seu toque
Que estão longe de mim
De meu corpo
E sons ontem ecoados em couro batido
Agora me acuam
Perco-me no retumbe
Quando não me retrucas
Tento ser seu metrônomo
Mostrar-te que seu tempo é o mesmo que o meu
Mas onde estás?
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Vôo... vou... (ex)pero
(In)scrição em linhas
Mãos de pássaro engavetado
(Ex)crevo o mundo
Onde a lei é liberdade
(In)ternamente, eternidade
(Ex)ternamente, rugosidade
Fuga do topo
Do ventre
Fogueia
Em chama de voz
Chama...
Ouço
Troço
E troco-lhe
Pelo lápis
Pelos que não encobrem o calor
Pêlos que não encobrem o calor
Do corpo que arde
(ex) pelem
Minha pele
O sentido é fora
De série
Do sério
Do tempo
Do vento
De mim
Lamento...
Mãos de pássaro engavetado
(Ex)crevo o mundo
Onde a lei é liberdade
(In)ternamente, eternidade
(Ex)ternamente, rugosidade
Fuga do topo
Do ventre
Fogueia
Em chama de voz
Chama...
Ouço
Troço
E troco-lhe
Pelo lápis
Pelos que não encobrem o calor
Pêlos que não encobrem o calor
Do corpo que arde
(ex) pelem
Minha pele
O sentido é fora
De série
Do sério
Do tempo
Do vento
De mim
Lamento...
sábado, 17 de dezembro de 2011
(Des) ilusão
Passo então a buscar uma desilusão amorosa
Pois não quero mais morosidades
Nem tão pouco ilusão
Se o prefixo “des” causa antônimo
(des)orientar
(des)concertar
(des)temer
Então que meu (des)tino seja o real
Inverso de ilusão
Que tenho tino pra não des e escolher
E não decido pelo que inexiste...
Pois então que seja um erro dizer desilusão
Para um amor não vingado
Mesmo que não por vingança
E nem por des(amor)
Que não sendo apenas imaginário
É a soli(dez) do vivenciado
E aí o des no final e com z já é um outro contrário...
Pois não quero mais morosidades
Nem tão pouco ilusão
Se o prefixo “des” causa antônimo
(des)orientar
(des)concertar
(des)temer
Então que meu (des)tino seja o real
Inverso de ilusão
Que tenho tino pra não des e escolher
E não decido pelo que inexiste...
Pois então que seja um erro dizer desilusão
Para um amor não vingado
Mesmo que não por vingança
E nem por des(amor)
Que não sendo apenas imaginário
É a soli(dez) do vivenciado
E aí o des no final e com z já é um outro contrário...
domingo, 13 de novembro de 2011
À espera do novo
Depois de uns anos esperam de nós aquilo que fazemos com que esperem. Deixamos de surpreender. Chega um dia que viramos jornal de segunda-feira; já sabemos o resultado do jogo antes mesmo de sair a edição. Vamos virando carne de vaca de notícia. E não precisa de tanto tempo assim. Este é justamente o efeito contrário do amadurecimento. Ou melhor, o contrário não, o colateral do efeito. Ao mesmo tempo em que amadurecemos, vamos aperfeiçoando a capacidade de errar melhor, as mesmas coisas.
Nosso iceberg que sempre esteve abaixo de nossa ponta aparente, pois passamos a vida sem querer desvelar ao outro o que de fato somos do que nem mesmo nós sabemos ao certo ser, está mais fixo que nunca. Consolidado. Não precisa mais de imersão para emergir. Já dizemos ao mundo sobre nós com os olhos, sem que seja preciso olhar. Essa é a nossa história, depois de ao longo dos anos irmos contando estórias, ou causos.
Tornamos-nos presas fáceis de nós mesmos. Frágeis para o mundo, sem querer. Ao mesmo tempo resguardados em nós pela inevitável sabedoria das experiências e desguardados aos outros pela inevitável astúcia do previsível, tornamo-nos objeto privilegiado do contraditório.
Somos réus de um julgamento de leis tácitas, criadas por nós, ao longo de nossos próprios crimes, daquilo que se chama vida.
O tempo usa o relógio do sol, não possui falha de bateria. Ele, amigável ou não, é das visitas a de mais falta de educação, não avisa que vem, e não só passa como se instala. Nós, muitos, insistimos no relógio de corda que não gira mais. Andança parada.
Acompanhar o tempo dialética, compassada, parceramente, já que ele vem, é mudar com ele, não permitir que sejamos mais do mesmo.
E somos capazes de mudanças bruscas ao longo de sua passagem? Perdemos a capacidade de destemer o desconhecido por não conhecer o tempo que resta para reconstrução?
Ainda prefiro pensar e agir que sim. Gosto da façanha de Button, o homem que não pode parar no tempo.
Arrisque o novo... e surpreenda a espera à sua volta.
Nosso iceberg que sempre esteve abaixo de nossa ponta aparente, pois passamos a vida sem querer desvelar ao outro o que de fato somos do que nem mesmo nós sabemos ao certo ser, está mais fixo que nunca. Consolidado. Não precisa mais de imersão para emergir. Já dizemos ao mundo sobre nós com os olhos, sem que seja preciso olhar. Essa é a nossa história, depois de ao longo dos anos irmos contando estórias, ou causos.
Tornamos-nos presas fáceis de nós mesmos. Frágeis para o mundo, sem querer. Ao mesmo tempo resguardados em nós pela inevitável sabedoria das experiências e desguardados aos outros pela inevitável astúcia do previsível, tornamo-nos objeto privilegiado do contraditório.
Somos réus de um julgamento de leis tácitas, criadas por nós, ao longo de nossos próprios crimes, daquilo que se chama vida.
O tempo usa o relógio do sol, não possui falha de bateria. Ele, amigável ou não, é das visitas a de mais falta de educação, não avisa que vem, e não só passa como se instala. Nós, muitos, insistimos no relógio de corda que não gira mais. Andança parada.
Acompanhar o tempo dialética, compassada, parceramente, já que ele vem, é mudar com ele, não permitir que sejamos mais do mesmo.
E somos capazes de mudanças bruscas ao longo de sua passagem? Perdemos a capacidade de destemer o desconhecido por não conhecer o tempo que resta para reconstrução?
Ainda prefiro pensar e agir que sim. Gosto da façanha de Button, o homem que não pode parar no tempo.
Arrisque o novo... e surpreenda a espera à sua volta.
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