Passo então a buscar uma desilusão amorosa
Pois não quero mais morosidades
Nem tão pouco ilusão
Se o prefixo “des” causa antônimo
(des)orientar
(des)concertar
(des)temer
Então que meu (des)tino seja o real
Inverso de ilusão
Que tenho tino pra não des e escolher
E não decido pelo que inexiste...
Pois então que seja um erro dizer desilusão
Para um amor não vingado
Mesmo que não por vingança
E nem por des(amor)
Que não sendo apenas imaginário
É a soli(dez) do vivenciado
E aí o des no final e com z já é um outro contrário...
Este blog faz parte de mais um momento, mais um ciclo, mais uma curva do espiral de minha existência. A cada dia descobrindo que descubro-me...aprendendo, aprendendo, aprendendo...Aventurando-me no lugar onde mais é possível se esconder e onde mais se pode ver. e-compartilhando! Reticências
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sábado, 17 de dezembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
À espera do novo
Depois de uns anos esperam de nós aquilo que fazemos com que esperem. Deixamos de surpreender. Chega um dia que viramos jornal de segunda-feira; já sabemos o resultado do jogo antes mesmo de sair a edição. Vamos virando carne de vaca de notícia. E não precisa de tanto tempo assim. Este é justamente o efeito contrário do amadurecimento. Ou melhor, o contrário não, o colateral do efeito. Ao mesmo tempo em que amadurecemos, vamos aperfeiçoando a capacidade de errar melhor, as mesmas coisas.
Nosso iceberg que sempre esteve abaixo de nossa ponta aparente, pois passamos a vida sem querer desvelar ao outro o que de fato somos do que nem mesmo nós sabemos ao certo ser, está mais fixo que nunca. Consolidado. Não precisa mais de imersão para emergir. Já dizemos ao mundo sobre nós com os olhos, sem que seja preciso olhar. Essa é a nossa história, depois de ao longo dos anos irmos contando estórias, ou causos.
Tornamos-nos presas fáceis de nós mesmos. Frágeis para o mundo, sem querer. Ao mesmo tempo resguardados em nós pela inevitável sabedoria das experiências e desguardados aos outros pela inevitável astúcia do previsível, tornamo-nos objeto privilegiado do contraditório.
Somos réus de um julgamento de leis tácitas, criadas por nós, ao longo de nossos próprios crimes, daquilo que se chama vida.
O tempo usa o relógio do sol, não possui falha de bateria. Ele, amigável ou não, é das visitas a de mais falta de educação, não avisa que vem, e não só passa como se instala. Nós, muitos, insistimos no relógio de corda que não gira mais. Andança parada.
Acompanhar o tempo dialética, compassada, parceramente, já que ele vem, é mudar com ele, não permitir que sejamos mais do mesmo.
E somos capazes de mudanças bruscas ao longo de sua passagem? Perdemos a capacidade de destemer o desconhecido por não conhecer o tempo que resta para reconstrução?
Ainda prefiro pensar e agir que sim. Gosto da façanha de Button, o homem que não pode parar no tempo.
Arrisque o novo... e surpreenda a espera à sua volta.
Nosso iceberg que sempre esteve abaixo de nossa ponta aparente, pois passamos a vida sem querer desvelar ao outro o que de fato somos do que nem mesmo nós sabemos ao certo ser, está mais fixo que nunca. Consolidado. Não precisa mais de imersão para emergir. Já dizemos ao mundo sobre nós com os olhos, sem que seja preciso olhar. Essa é a nossa história, depois de ao longo dos anos irmos contando estórias, ou causos.
Tornamos-nos presas fáceis de nós mesmos. Frágeis para o mundo, sem querer. Ao mesmo tempo resguardados em nós pela inevitável sabedoria das experiências e desguardados aos outros pela inevitável astúcia do previsível, tornamo-nos objeto privilegiado do contraditório.
Somos réus de um julgamento de leis tácitas, criadas por nós, ao longo de nossos próprios crimes, daquilo que se chama vida.
O tempo usa o relógio do sol, não possui falha de bateria. Ele, amigável ou não, é das visitas a de mais falta de educação, não avisa que vem, e não só passa como se instala. Nós, muitos, insistimos no relógio de corda que não gira mais. Andança parada.
Acompanhar o tempo dialética, compassada, parceramente, já que ele vem, é mudar com ele, não permitir que sejamos mais do mesmo.
E somos capazes de mudanças bruscas ao longo de sua passagem? Perdemos a capacidade de destemer o desconhecido por não conhecer o tempo que resta para reconstrução?
Ainda prefiro pensar e agir que sim. Gosto da façanha de Button, o homem que não pode parar no tempo.
Arrisque o novo... e surpreenda a espera à sua volta.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Jardim de Bolero
Minha terra enrijece, cede a gesso, endurece
Dura com o tempo das plantadas de vida.
Ventila espécies que circulam e rodam-se pelo meu jardim
Se ventam, se voam, se entram, se tocam pelo meu jardim
Mancha rugas e rusgas pelo meu jardim
Jardim que parece ser não é pra ser
Pelo meu jardim não se escolhe o que planta, se colhe o que sente
Se dança, se toca
Se...
Senta a poeira quando senta o colo cansado de sentir
Dorme...
E num acordo acorda que acordar é lei de viver
E se dança, se toca
Se...
Meu jardim descobriu tarde que pra ser belo pra si tinha de dançar e tocar
Quando acordar vai ser bonito
Enquanto sonha é tocado, dancei...
Dura com o tempo das plantadas de vida.
Ventila espécies que circulam e rodam-se pelo meu jardim
Se ventam, se voam, se entram, se tocam pelo meu jardim
Mancha rugas e rusgas pelo meu jardim
Jardim que parece ser não é pra ser
Pelo meu jardim não se escolhe o que planta, se colhe o que sente
Se dança, se toca
Se...
Senta a poeira quando senta o colo cansado de sentir
Dorme...
E num acordo acorda que acordar é lei de viver
E se dança, se toca
Se...
Meu jardim descobriu tarde que pra ser belo pra si tinha de dançar e tocar
Quando acordar vai ser bonito
Enquanto sonha é tocado, dancei...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Fujo-me
Hoje preciso da escuridão absoluta
Da ausência de qualquer feixe de luz
que possa significar cristalidade.
A falta é a completude da inexatidão
que corrói meu peito em conflito.
Estou tão distante de mim
que nem as lágrimas que me são tão peculiar
hoje já não vêm.
A inexistência do choro,
água sólida de sentido,
sinaliza a implenitude da vida.
Aí, já não resta outro caminho, senão...
Reiventar-se.
Da ausência de qualquer feixe de luz
que possa significar cristalidade.
A falta é a completude da inexatidão
que corrói meu peito em conflito.
Estou tão distante de mim
que nem as lágrimas que me são tão peculiar
hoje já não vêm.
A inexistência do choro,
água sólida de sentido,
sinaliza a implenitude da vida.
Aí, já não resta outro caminho, senão...
Reiventar-se.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Não duvido de mim, mas as dúvidas me duvidam
Sem saber falar sobre incertezas, prefiro alimentá-las no silêncio. As dúvidas não ditas talvez machuquem mais que as respostas dadas por perguntas palavreadas ao vento, contudo, sem rigidez, jamais mensurarão o tamanho da dor.
Num mundo racional, as dúvidas não são bem vistas... Muito menos bem sentidas... Num mundo racional, ver não é sentir. Prefiro aqueles que antecedem o sentido à visão. Quem busca a dúvida não se contenta com um ponto de sentir, necessita de vários. Quem busca a dúvida, reconhece a liberdade, não se deixa sufocar.
Mas, como nem toda escolha, porque ter dúvidas também são escolhas, é feita apenas pelos louros, o imprevisível reserva o que não se pode controlar. A liberdade, aí, já não é sua, é dela própria, e do mundo. Na hora em que se desprende, já é tarde para buscar domínio de si. São as conseqüências.
O silêncio faz me duvidar, mas também duvidar. E quando experienciado deixa uma sensação amarga. O silêncio tem de ser meu, não daquele que quero que fale a mim. A minha liberdade tem o limite do querer não tê-la. Decisão da dúvida consciente. Como escreveu a sábia Clarice, aqui interpretada por mais uma vida, a liberdade é o limite da proteção. A liberdade é a troca da seguridade que se quer ter, e todos querem, mesmo na solidão.
Num mundo racional, as dúvidas não são bem vistas... Muito menos bem sentidas... Num mundo racional, ver não é sentir. Prefiro aqueles que antecedem o sentido à visão. Quem busca a dúvida não se contenta com um ponto de sentir, necessita de vários. Quem busca a dúvida, reconhece a liberdade, não se deixa sufocar.
Mas, como nem toda escolha, porque ter dúvidas também são escolhas, é feita apenas pelos louros, o imprevisível reserva o que não se pode controlar. A liberdade, aí, já não é sua, é dela própria, e do mundo. Na hora em que se desprende, já é tarde para buscar domínio de si. São as conseqüências.
O silêncio faz me duvidar, mas também duvidar. E quando experienciado deixa uma sensação amarga. O silêncio tem de ser meu, não daquele que quero que fale a mim. A minha liberdade tem o limite do querer não tê-la. Decisão da dúvida consciente. Como escreveu a sábia Clarice, aqui interpretada por mais uma vida, a liberdade é o limite da proteção. A liberdade é a troca da seguridade que se quer ter, e todos querem, mesmo na solidão.
domingo, 29 de maio de 2011
Bilhete deixado na gaveta
Mesmo sendo o que mais gosto de fazer, escrever muitas vezes é uma tarefa difícil. Escrevo abstratamente talvez porque seja mais fácil falar de sentimentos que sinto sem falar de mim mesma...
Começo dizendo assim depois de ter várias vezes jogado o caderno pro lado e pensado: não tem sentido escrever, dizer... e talvez o faça mais algumas vezes até chegar ao final...
Apesar que para o final do bilhete é rápido, porque senão torna-se carta...
Apenas gostaria de lhe dizer que alguma coisa nesse breve caminho nosso não se fez entender entre nós e eu não sei o que é... Somente sei, porque sinto, e dizendo objetivamente, mexeste comigo e, se te entrego este bilhete agora é porque, de fato, sei o que sinto... e o que quero...
Começo dizendo assim depois de ter várias vezes jogado o caderno pro lado e pensado: não tem sentido escrever, dizer... e talvez o faça mais algumas vezes até chegar ao final...
Apesar que para o final do bilhete é rápido, porque senão torna-se carta...
Apenas gostaria de lhe dizer que alguma coisa nesse breve caminho nosso não se fez entender entre nós e eu não sei o que é... Somente sei, porque sinto, e dizendo objetivamente, mexeste comigo e, se te entrego este bilhete agora é porque, de fato, sei o que sinto... e o que quero...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Vida simples é não entender, amar, sofrer...
Pinceladas de anedotas desterram as raízes do orvalho seco que caem brotando sementes de carinhosidades nos olhares salgados da lembrança...
Flores q desabrocham na noite e deixam que cantem sabiás de língua presa a novelar lorotas de pensamentos enroscados de dúvidas e incertezas...
Mexilhões que remexem o labirinto escondido dos tucuruvis amarelos que se esqueceram de voar entre as portas da solidão...
Cochiladas dos sapos ternurosos da beira do rio claro de água azul torcida espirrando trovas ao amor de passaredo leve que nunca mais chegou...
Caminhadas de mãos penadas da bisoneta verde que tenta se inventar no mundo da imaginação proibida e que quer ser louca de pedra chuvosa pra não precisar ser lembrada...
E simples assim vão/vou/vamos vivendorando o inatingível entendimento do que é viver...
Flores q desabrocham na noite e deixam que cantem sabiás de língua presa a novelar lorotas de pensamentos enroscados de dúvidas e incertezas...
Mexilhões que remexem o labirinto escondido dos tucuruvis amarelos que se esqueceram de voar entre as portas da solidão...
Cochiladas dos sapos ternurosos da beira do rio claro de água azul torcida espirrando trovas ao amor de passaredo leve que nunca mais chegou...
Caminhadas de mãos penadas da bisoneta verde que tenta se inventar no mundo da imaginação proibida e que quer ser louca de pedra chuvosa pra não precisar ser lembrada...
E simples assim vão/vou/vamos vivendorando o inatingível entendimento do que é viver...
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