Quero que antes de olharem meus olhos, vejam-me pela imperfeição, mesmo que essas sejam conhecidas por meio de outras bocas que não as minhas.
Essas tornam, mesmo as mentiras, sentimento vivo do estar sendo humano e aí o que vale mesmo não é dizer o outro, mas ser dito.
E se quem sabe já dizia que a unanimidade é burra, faz a não unanimidade justamente esse, o burro, que permite que o outro se diferencie.
Sinto-me cotidianamente mais humana falhando, disparates de uma não atenção ao mundo que é só minha, na individualidade de minha memória que insistentemente me trai no esquecimento.
E na continuidade de me perceber humana, na roda viva de uma sobrevivência coletiva, vou me convencendo que se são justamente as imperfeições que me propiciam não agradar uns, são também elas o que agrada a outros, e assim vou me aliviando em saber que o fato mesmo é que de verdade existe o que a gente é, como gente.
É certo que para aqueles que usam seu tempo disparando humanidades dos outros, têm também o privilégio de, imperfeiçoando o outro, imperfeiçoar a si mesmo, e também vão se tornando humano.
Todavia, não sei se certo, mas sensível, que humanizando-nos vamos deixando de admirar quem, erroneamente, acha que destrói o outro com falas ásperas. Deixando de ser admirado vai se tornando burro duplamente, uma por fazer com que o outro de quem se fala deixe de ser unânime, mas também em conquistar unanimidade no desapreço de todo o resto.
Prefiro então minha imperfeição alheia, que sendo fato ou não, diz respeito a mim e àqueles que comigo vão humanizando-se. Aos outros, dedico a unanimidade...
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